A partir de uma frase muito comum, perceberemos o engano corriqueiro do leigo com o conceito de Autoridade. Em meio a uma desordem, um policial diz em voz alta:
"Eu sou a Lei aqui"
Ora, uma pessoa não representa a identidade da Lei. O policial é um Agente da Lei. Podemos dizer que o Policial é uma Autoridade ?
Em quase todos os requisitos de Autoridade o Policial passa, exceto por "Poder de Ordenar e traçar normas". Ele não tem a natureza de planejador de normas. Mesmo os oficiais da Corporação, dependendo do órgão do Estado a quem servem, podem ser simples executores de Normas de Segurança estabelecidas pelo Estado.
Pelo menos no Brasil, as Polícias estão submetidas ao Poder Executivo. Polícia Federal responde ao Ministro da Justiça. Polícia Militar responde ao Governador, e a Guarda Municipal ao Prefeito. Estes representantes do Poder Executivo é que são as verdadeiras Autoridades na nossa República.
A Lei
A Lei é uma coisa um pouco estranha em relação à Autoridade. Se existe Autoridade, para que a Lei ?
Algo inédito acontece com as Autoridades em nossa República. Eles precisam, como nós cidadãos, obedecer à Lei. Mas explicando pelo lado dos poderes de nossa República, e no âmbito federal, fica fácil de entender. Temos o Poder Legislativo (Câmara Federal e Senado), que elabora os Projetos de Lei, e os aprova como Lei a ser regulamentada e cumprida.
As Autoridades não elaboram as Leis. Elas até podem sugerí-las, ao se verem em situações sui generis no exercício de sua Autoridade Executiva. Elas estão sujeitas às Leis.
A Sociedade
Ora, a Sociedade é composta de cidadãos, e estes não são robôs que possam obedecer sempre e totalmente as Leis, visto que as situações apresentadas envolvendo os cidadãos podem ser novas, inusitadas e imprevistas. E se as Leis não são tão completas neste sentido, temos o terceiro poder: o Judiciário.
Munidos das Leis, os juízes farão o melhor uso possível delas, dentro do contexto que a Sociedade está vivendo. E temos que lidar até com as diferentes cabeças dos diferentes juízes. Se o juiz não acompanhar a tendência da Sociedade em suas sentenças, teremos um colapso de credibilidade das Leis.
Mas a Lei fria nunca acompanha as mudanças que ocorrem na sociedade. Como os cidadãos são pessoas, com comportamentos diversos, e alguns imprevisíveis, praticamente teríamos um código de leis para cada pessoa, na perspectiva extremamente justa.
O cidadão não pode se comportar na sua vida citadina seguindo as Leis da República. Ela foi feita para Membros da República, que tenham consciência exagerada da Lei, coisa que não acontece, pela pouca cultura da esmagadora maioria.
Mas que Lei teria a capacidade de alcance da massa de cidadãos ?
A resposta é a Lei contida na atividade religiosa, e vista com tão maus olhos, como alienadora, dominadora e fantasiosa: Religião a matéria polêmica e execrada pelos intelectuais.
O próprio filósofo Sócrates, ao perceber o crescimento do movimento dos Sofistas, que queriam cobrar por suas defesas filosóficas, advertiu os cidadãos gregos que a filosofia sem os aspectos religiosos levavam ao ceticismo. Hoje, o Direito está completamente desvinculado da religião, e os modernos Sofistas se chamam Advogados. Efeito indesejado ? Não, devido à diversidade de religiões e Correntes Religiosas existentes, e à própria constituição da República, que contempla a Justiça em um de seus poderes.
Não analisaremos a Religião como crença, mas como uma instituição, fora dos "Cartórios Religiosos" desta ou aquela denominação católica, espírita, budista, judaica, seja o que for. Vamos analisar tão somente os estatutos, leis, mandamentos ou tradições que as tornem fonte de instruções de conduta na sociedade.
E dentro do que caracterizamos como "esmagadora maioria", estão não só os simples e humildes, mas pessoas instruídas que tem um horizonte de espiritualidade dentro de uma "corrente religiosa".
Espírito Religioso da Sociedade
Não fizemos aqui a Religião surgir do nada. Em nossa exposição, a Religião surgiu do seio da Sociedade, ou seja, da necessidade de preencher a enorme falha da Lei fria exarada das sedes da Autoridade da República, que é mais um Sistema Político do que um Sistema Social. Um Sistema Social tem como exemplo as tribos. A origem de um Sistema Social deve ser a célula familiar, e não uma Câmara de Legisladores. Estes últimos são frios, e querem estabelecer critérios de igualdade entre indivíduos que NUNCA SE SENTIRÃO IGUAIS, mesmo que o Sistema receba o nome de Democracia.
Autoridade Espiritual
Mas mesmo a Religião, exercida na forma de "corrente religiosa", não se constitui em algo totalmente anárquico. Os mandamentos e as leis nela contidas precisam ser interpretados por pessoas com o "dom espiritual". Coisas espirituais se interpretam pela via espiritual, e não pela fria interpretação da Lei que caracterizamos anteriormente, além do que não existe para satisfazer a um Sistema Político.
Munidos das Leis, os juízes farão o melhor uso possível delas, dentro do contexto que a Sociedade está vivendo. E temos que lidar até com as diferentes cabeças dos diferentes juízes. Se o juiz não acompanhar a tendência da Sociedade em suas sentenças, teremos um colapso de credibilidade das Leis.
Mas a Lei fria nunca acompanha as mudanças que ocorrem na sociedade. Como os cidadãos são pessoas, com comportamentos diversos, e alguns imprevisíveis, praticamente teríamos um código de leis para cada pessoa, na perspectiva extremamente justa.
O cidadão não pode se comportar na sua vida citadina seguindo as Leis da República. Ela foi feita para Membros da República, que tenham consciência exagerada da Lei, coisa que não acontece, pela pouca cultura da esmagadora maioria.
Mas que Lei teria a capacidade de alcance da massa de cidadãos ?
A resposta é a Lei contida na atividade religiosa, e vista com tão maus olhos, como alienadora, dominadora e fantasiosa: Religião a matéria polêmica e execrada pelos intelectuais.
O próprio filósofo Sócrates, ao perceber o crescimento do movimento dos Sofistas, que queriam cobrar por suas defesas filosóficas, advertiu os cidadãos gregos que a filosofia sem os aspectos religiosos levavam ao ceticismo. Hoje, o Direito está completamente desvinculado da religião, e os modernos Sofistas se chamam Advogados. Efeito indesejado ? Não, devido à diversidade de religiões e Correntes Religiosas existentes, e à própria constituição da República, que contempla a Justiça em um de seus poderes.
Não analisaremos a Religião como crença, mas como uma instituição, fora dos "Cartórios Religiosos" desta ou aquela denominação católica, espírita, budista, judaica, seja o que for. Vamos analisar tão somente os estatutos, leis, mandamentos ou tradições que as tornem fonte de instruções de conduta na sociedade.
E dentro do que caracterizamos como "esmagadora maioria", estão não só os simples e humildes, mas pessoas instruídas que tem um horizonte de espiritualidade dentro de uma "corrente religiosa".
Espírito Religioso da Sociedade
Não fizemos aqui a Religião surgir do nada. Em nossa exposição, a Religião surgiu do seio da Sociedade, ou seja, da necessidade de preencher a enorme falha da Lei fria exarada das sedes da Autoridade da República, que é mais um Sistema Político do que um Sistema Social. Um Sistema Social tem como exemplo as tribos. A origem de um Sistema Social deve ser a célula familiar, e não uma Câmara de Legisladores. Estes últimos são frios, e querem estabelecer critérios de igualdade entre indivíduos que NUNCA SE SENTIRÃO IGUAIS, mesmo que o Sistema receba o nome de Democracia.
Autoridade Espiritual
Mas mesmo a Religião, exercida na forma de "corrente religiosa", não se constitui em algo totalmente anárquico. Os mandamentos e as leis nela contidas precisam ser interpretados por pessoas com o "dom espiritual". Coisas espirituais se interpretam pela via espiritual, e não pela fria interpretação da Lei que caracterizamos anteriormente, além do que não existe para satisfazer a um Sistema Político.
Uma boa Religião de Adoração (Judaísmo, Cristianismo, Hinduísmo) ou Religião Filosófica (espiritismo, budismo, bramanismo, gnosticismo) possuem valores expressos em rituais, mandamentos, Leis e recomendações, que funcionam como Autoridade Espiritual. Mas as religiões de Adoração são mais profundas, pois a Autoridade vai além das letras e atinge Entidades de onde exararam as leis.
Em nossas leis Sociais, não existe uma Autoridade Pessoal que exarou as Leis, mas um Espírito que inspirou Autoridades temporárias, durante seus mandatos, na redação destas Leis. Este Espírito varia de humor conforme as épocas. Mas nas Leis de inspiração religiosa existe um Espírito mais constante, que afirmando ser Eterno, pode ver sua conveniência no presente e no futuro.
A Autoridade Espiritual não é reconhecida por todas as pessoas, então para elas resta a Autoridade das Leis Sociais, imperfeitas, mas razoáveis para manter a vida em sociedade. Estas Leis trazem as injustiças pois, como demonstramos, as pessoas são muito diferentes, e a erudição de tais Leis as torna inacessíveis aos seres comuns.
Eu sei tudo o que você faz
Ora, a Autoridade Divina tem um aspecto muito mais grave, que as pessoas não toleram. Ela se diz Onisciente, Onipresente e Onipotente. Para pessoas mais autônomas em seus pensamentos e atitudes, isto é uma ameaça. Este Ser Divino sabe tudo da vida dela, seus segredos íntimos, seus fingimentos e seus delitos secretos. Para se ver livre do Divino, ela o nega. E é fácil negar o Ser Divino, pois sendo invisível, parece não reagir.
Tivemos que chegar a este ponto para justificar a existência da Autoridade Policial, que faz a autuação daqueles que infringem as Leis Sociais. A Polícia é menos temida, pois não é Onipresente, nem Onisciente. Ela até tenta ser Onipresente com as câmeras de filmagem, e está quase chegando lá. E além desta falha, a Polícia depende da qualidade da Lei, e no Brasil da atualidade, e pelos motivos expostos, ela falha muitas vezes.
Repulsa pela Punição
Chega a nós pelos psicólogos clínicos ou pelos orientadores e coordenadores educacionais relatos de jovens que se posicionam contra Deus. Como este é o símbolo absoluto da Autoridade Divina no inconsciente coletivo, é o mais conveniente de ser explorado. E por que ? Porque desde que o mundo é mundo, as civilizações afirmavam que a sua vitória era garantida por este deus ou, na visão de Freud, Totem. Sobre isto este alemão até escreveu um ensaio: "Totem e Tabu" (1912-1914).
Ora, mas quais são os motivos apresentados por estes pacientes para a sua repulsa ? A alegação é que o deus descrito na Bíblia, livro muito comum em todos os lares brasileiros, exerce sua autoridade, pelo menos na primeira parte deste, com violência, mandando matar tanto animais quanto homens, mulheres e crianças. Não entraremos em detalhes pelo desconhecimento de muitos da obra em sua inteireza.
O que podemos extrair desta repulsa, importante sentimento humano, associado à recusa do corpo em consumir determinados alimentos e evitar os estragados, é algo mais profundo:
O desejo de não ser punido, sonho dos delinquentes no Brasil
E deste ponto não precisamos dizer mais nada. A própria sociedade brasileira foi às ruas para protestar contra isto, mas os indivíduos encontram em um assunto simbólico o ESCAPE PARA UM DESEJO REPRIMIDO E OCULTO.
Conclusão
Comparando as Autoridades terrenas com a Divina, constatamos que o homem acha mais conveniente se submeter à terrena, por ser muito mais falha, daí a repulsa pela Divina. A Divina é uma boa candidata à simbólica, pois as deidades não são visíveis, e se encontram guardadas a sete chaves no inconsciente.
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